segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Lenda do pretinho aleijado





O Pretinho aleijado é uma figura folclórica da cidade brasileira de Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul.

Tratava-se de um rapaz negro que não possuía uma das mãos e que durante anos foi zelador da Igreja Santo Antônio, uma pequena igreja de arquitetura eclética localizada no centro da cidade e construída pelo fundador da cidade, Antônio Trajano, no ano de 1914.

O Pretinho aleijado, entre outras coisas, era o responsável por tocar o sino da igreja em horas específicas. Sua lenda se iniciou quando, durante um assalto à igreja, foi assassinado pelo assaltante. Desde então, diz-se que o sino da Igreja Santo Antônio toca por si só e que isso seria o espírito do Pretinho aleijado desempenhando seu trabalho.



A lenda do Pretinho aleijado se tornou famosa nacionalmente com a canção de mesmo nome gravada pela dupla Tião Carreiro e Pardinho. Desde então, foi gravada por vários intérpretes de música sertaneja e caipira.



"Pretinho Aleijado" (Teddy Vieira - Luizinho) Gravação mais famosa: Tião Carreiro e Pardinho, álbum Viola Cabocla, faixa 09, 1973.


Com mil e oitocentos bois, eu saí de Rancharia Na praça de Três Lagoas, cheguei no romper do dia O sino de uma igrejinha numa estranha melodia Anunciava tristemente a hora da Ave-Maria Eu entrei igreja adentro pra fazer minha oração Assisti um quadro triste, que cortou meu coração Um pretinho aleijado somente com uma das mãos Puxava a corda do sino, cantando triste canção


Aquela alma feliz, era um espelho a muita gente Que tendo tudo no mundo da vida vive descrente O meu negro coração transformou-se de repente Ao terminar minha prece, era um homem diferente No outro dia com a boiada sai de madrugadinha Muitas léguas de distância, esta notícia me vinha Um malvado desordeiro assaltou a igrejinha E matou o aleijadinho pra roubar tudo que tinha


O sino de Três Lagoas vivia silenciado E eu com meu parabelo andava atrás do malvado Voltando nesta cidade vi o povo assustado Diz que o sino a meia-noite sozinho tinha tocado Quando entrei na igrejinha, uma voz pra mim falou Jogue logo esta arma, não se torne um pecador Tirar a vida de um cristão, compete a Nosso Senhor Conheci a voz do pretinho, o meu ódio se acabou